O «só sei que nada sei» moderno
geral • 21:20 • 17.01.2007Há uns anitos, numa qualquer acção de formação de recursos humanos, referiu-se que a aquisição e prática de competências (por exemplo, saber falar em público, enganar esclarecer um cliente, dirigir um projecto, etc.) passa, via de regra, por quatro fases distintas e sucessivas:
- A inconsciência inconsciente: nesta primeira etapa, nem temos a competência ou se a temos nem sabemos que precisamos dela. Somos umas autênticas bestas. Por exemplo, abrir a porta a uma gaja ou ajudá-la a carregar sacos? Mas que tanga é essa, não querem igualdade? Aguentem!
- A inconsciência consciente: aqui já se começa a fazer luz, já que temos a noção que não sabemos algo. Normalmente acontece depois de passarmos uma noite a dormir no sofá por termos referido à cara metade que a colega dela tem um ar mais jovem. Começa a aprendizagem, já a caminho do nível seguinte:
- A consciência consciente: aqui, já cientes da necessidade da competência, bem como da forma como utilizá-la, fazê-mo-lo de forma pensada. Não comentamos com a nossa eleita a roupa interior que a vizinha deixa cair “desinteressadamente” na nossa varanda, perguntamos carinhosamente como lhe correu o dia de trabalho e acenamos pontualmente ao que ela nos vai dizendo, sem que ela repare que no fundo não estamos a ouvir nada e não despregamos o olho da SportTV. Com a prática e hábito evoluímos e chegamos à última fase:
- A inconsciência inconsciente: agimos da forma estudada e trabalhada já sem pensar nisso. Não é o puro instinto, já que a competência foi trabalhada conscientemente nas fases anteriores, mas é quase. Agora até passamos por humanos e, inconscientemente, felizes. E, no fundo, é tudo o que é preciso.


Eu devo estar na fase 3, com um pé na 4. É bom ou mau?
Pseudo — 18.01.2007 @ 0:13